Poxa, simples e direto.
Hoje vivemos num mundo em que as coisas tomaram o lugar das
pessoas e dos sentimentos. Fazer um carinho foi substituído, pelo playstation,
pela natação, aulas de inglês, babá e afins. Sou de um tempo em que brincávamos
na rua e que bastava o olhar do pai ou da mãe para sabermos exatamente se
estávamos fazendo a coisa certa. Um tempo em que era a imagem dos pais a nossa
primeira versão de como se deveria ser...
Hoje nossos filhos são reféns do holograma, do virtual, acreditam
que um número de amigos na rede social realmente representa seu nível de
afetividade real...
Ainda gosto dos tempos antigos, quando precisávamos estar
olho a olho para demonstrar afeto; quando não se precisava mensurar o afeto
dispensado pela quantidade de presente que damos.
Ainda prefiro os abraços aos ovos de Páscoa; prefiro um beijo
de boa noite aos presentes de dia dos namorados, dia das mães, dia da avó, e
tantos outros dias que só são realmente dias importantes para o bolso do
comércio, que insiste em nos fazer acreditar que só podemos demonstrar nossos
sentimentos através do material.
Sou do tempo em que dia do amigo era todo dia, ou não era dia
nenhum... Se você tinha um amigo, longe ou perto, você não precisava colocar
aquelas frases insípidas no “face” pra parecer "Cult", era só olhar
nos olhos e vê que a amizade estava lá, está lá... Que não importa quanto tempo
se passe, quantos quilômetros de distância se esteja do amigo no dia a dia, a
amizade está lá, quietinha, guardada, aguardando o próximo encontro.
É isso, tenho uma batalha para travar em casa, pois não quero
e não vou criar meu filho e/ou os outros filhos que virão, industrializando meu
afeto.
Ainda sou do tempo em que a gente perguntava: - Pode mãe?, - Quando
a senhora puder a senhora me dá?
O bom é que a história nos mostra o tempo todo que as
construções sociais são um eterno construir e desconstruir de valores, então
aguardo ansiosa pelo dia em que voltaremos a frequentar a casa dos amigos ou
simplesmente ligar para ouvir a voz e dizer que estamos com saudades...
Talvez nesse dia, a humanidade perceba o quanto estamos
perdendo, por enquanto fica assim, você daí e eu daqui curtindo e
compartilhando.
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