quinta-feira, 24 de maio de 2012


Poxa, simples e direto.
Hoje vivemos num mundo em que as coisas tomaram o lugar das pessoas e dos sentimentos. Fazer um carinho foi substituído, pelo playstation, pela natação, aulas de inglês, babá e afins. Sou de um tempo em que brincávamos na rua e que bastava o olhar do pai ou da mãe para sabermos exatamente se estávamos fazendo a coisa certa. Um tempo em que era a imagem dos pais a nossa primeira versão de como se deveria ser...
Hoje nossos filhos são reféns do holograma, do virtual, acreditam que um número de amigos na rede social realmente representa seu nível de afetividade real...
Ainda gosto dos tempos antigos, quando precisávamos estar olho a olho para demonstrar afeto; quando não se precisava mensurar o afeto dispensado pela quantidade de presente que damos.
Ainda prefiro os abraços aos ovos de Páscoa; prefiro um beijo de boa noite aos presentes de dia dos namorados, dia das mães, dia da avó, e tantos outros dias que só são realmente dias importantes para o bolso do comércio, que insiste em nos fazer acreditar que só podemos demonstrar nossos sentimentos através do material.
Sou do tempo em que dia do amigo era todo dia, ou não era dia nenhum... Se você tinha um amigo, longe ou perto, você não precisava colocar aquelas frases insípidas no “face” pra parecer "Cult", era só olhar nos olhos e vê que a amizade estava lá, está lá... Que não importa quanto tempo se passe, quantos quilômetros de distância se esteja do amigo no dia a dia, a amizade está lá, quietinha, guardada, aguardando o próximo encontro.
É isso, tenho uma batalha para travar em casa, pois não quero e não vou criar meu filho e/ou os outros filhos que virão, industrializando meu afeto.
Ainda sou do tempo em que a gente perguntava: - Pode mãe?, - Quando a senhora puder a senhora me dá?
O bom é que a história nos mostra o tempo todo que as construções sociais são um eterno construir e desconstruir de valores, então aguardo ansiosa pelo dia em que voltaremos a frequentar a casa dos amigos ou simplesmente ligar para ouvir a voz e dizer que estamos com saudades...
Talvez nesse dia, a humanidade perceba o quanto estamos perdendo, por enquanto fica assim, você daí e eu daqui curtindo e compartilhando.

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